Enem: veja temas de redação ligados à pandemia

Os professores Diogo Xavier, Fernanda Bérgamo, Josicleide Guilhermino e Tatyanna Manhães selecionaram dicas importantes

“A prática textual é fundamental para a evolução da escrita.” A fala da professora de língua portuguesa Josicleide Guilhermino resume bem o que muitos estudantes que estão fazendo, neste momento, para se sair bem na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020. Quem sonha ingressar em uma instituição de ensino superior no próximo ano sabe que produção textual tende a ter peso maior na pontuação final.

projeto Vai Cair No Enem (@vaicairnoenem), reuniu os professores de linguagens e redação Diogo Xavier, Fernanda Bérgamo, Josicleide Guilhermino e Tatyanna Manhães para indicar temas de redação sobre assuntos relacionados à pandemia do novo coronavírus, que podem ser praticados pelos estudantes. Josicleide Guilhermino fala da importância dos vestibulandos praticarem diversas temáticas. “A prática textual é fundamental para a evolução da escrita em todas as competências cobradas, independente do tema”, frisa Josicleide.

A professora ainda alerta que, os temas de redação que abordam assuntos sobre a pandemia, podem ajudar os estudantes. “O Exame é pautado também na atualidade, então possivelmente a prática de temas relacionados à pandemia dará aos estudantes bagagem para as questões”, conclui.

A docente listou cinco temas de redação sobre a temática que podem ser praticados; confira: 

–> Impactos da epidemia na Saúde Pública brasileira.

–> Caminhos para combater avanços da Covid-19.

–> Consequências da epidemia na economia brasileira.

–> Desafios da pandemia no sistema educacional.

–> Mente sã, corpo são: saúde mental em tempos de pandemia 

Diogo Xavier informou, em entrevista ao LeiaJá, que são pequenas as chances de caírem na prova assuntos em evidência, mas o educador salienta que praticar temas de redação sobre a pandemia ajudará a ampliar o repertório sociocultural do estudante. “O tema pode dar margem a citar a pandemia ou tópicos afins como referência. Quanto mais amplo for o repertório social, há mais chance de conseguir desenvolver bem o texto”, diz.

Xavier também listou temas de redação ligados à pandemia que podem ajudar os estudantes a obter um maior repertório na hora da prova:

–> Pandemia e os desafios para manter um sistema público de saúde no Brasil

–> Empatia e solidariedade em tempos de calamidade

–> O Brasil da pandemia: o crescente descrédito na ciência e suas implicações

–> Covid-19 e os riscos das Fake News à saúde da população 

–> Educação e isolamento social: desafios para garantir educação para todos durante a pandemia

O professor Diogo Xavier produziu uma redação para exemplificar com a temática “Os desafios para manter um sistema de saúde público no Brasil”:

A atual Constituição brasileira, promulgada em 5 de outubro de 1988, foi a primeira a instituir legalmente no país a saúde como um direito universal e gratuito, cabendo ao Estado proporcioná-lo a seus cidadãos. Assim surgiu o Sistema Único de Saúde (SUS), a fim de garantir à população assistência médica. Hoje, entretanto, mesmo passadas mais de 3 décadas e diante de uma situação de pandemia, esse sistema ainda apresenta entraves no cumprimento de tais garantias. Urge, dessa forma, analisar os desafios para manter um sistema público de saúde no Brasil, em especial no que diz respeito à falta de investimentos.

A princípio, convém ressaltar a relevância de se proporcionar um sistema universal de saúde no país. Séries norte-americanas, como “Grey’s Anatomy”, mostram hospitais modernos nos Estados Unidos, os quais dispõem de grandes estruturas, equipamentos de ponta e os mais brilhantes profissionais, prontos para desvendar os mistérios da medicina. Lá, entretanto, a população não possui saúde pública. Os que optam por não obter um seguro-saúde correm o risco de contrair dívidas vultosas. No Brasil, por outro lado, o SUS possibilita a milhões de famílias acesso a consultas eletivas, cirurgias e atendimentos de emergência, por exemplo. Ficou ainda mais evidente a importância desse sistema diante da pandemia da doença respiratória Covid-19, no ano de 2020, pois, nos primeiros casos confirmados, clínicas particulares tiveram que transferir pacientes para instituições públicas, que estavam mais preparadas para lidar com a patologia.

Há, contudo, problemas para a garantia de atendimento de qualidade e para todos, em parte, pelo investimento governamental, que é insuficiente. Prova disso é que, segundo a OMS, o indicado é que pelo menos 6% do Produto Interno Bruto (PIB) seja direcionado à saúde, mas o Brasil destina apenas 4%, fato agravado pelo congelamento dos investimentos públicos, determinado em uma emenda constitucional aprovada em 2016. Em adição, a aplicação das verbas carece de fiscalização e de participação popular nas decisões, o que ainda possibilita desvios e outras irregularidades. Como resultado, é de conhecimento geral que hospitais sucateados e sem materiais, dificuldade de marcação de consultas e profissionais desvalorizados fazem parte da realidade do sistema público. Ademais, o surto do novo coronavírus denuncia, ainda, a quantidade insuficiente de leitos e de equipamentos de proteção individual (EPI), como luvas e máscaras, fato frequentemente noticiado nos telejornais.

Percebe-se, portanto, que a saúde pública é essencial e precisa de medidas para ter sua eficiência garantida. Diante disso, urge que o Poder Legislativo, por meio da elaboração e aprovação de uma proposta de emenda à lei, determine o direcionamento de 6% do PIB para o SUS, a fim de suprir de mais recursos o sistema. Em caráter de urgência no combate à pandemia, é necessário, também, que o Senado aprove um dos projetos de taxação de grandes fortunas, a fim de garantir equipamentos e estrutura para os casos de infectados que apresentem complicações, sem comprometer outros atendimentos emergenciais. Em adição, cabe ao Ministério da Saúde instituir, na esfera federal e em cada estado, conselhos compostos por representantes da sociedade civil, do governo e dos profissionais de saúde, a fim de fiscalizar os gastos e decidir melhores direcionamentos de investimentos, levando a uma melhor garantia do direito à saúde que rege nossa Constituição Cidadã.

Rumo à nota mil

Com o intuito de ajudar ainda mais os estudantes que estão se preparando para o Enem em casa, as professoras Fernanda Bérgamo e Tatyanna Manhães deram algumas dicas em prol da pontuação máxima na redação. “Para se destacar, o estudante precisa produzir pelo menos uma redação por semana, dominar o gênero dissertativo argumentativo e entender como o corretor vai avaliar as redações com base nas cinco competências. Além disso, é bom se manter bastante atualizado já que o tema da redação é normalmente retirado da realidade atual, fora que vai ajudar muito ter um repertório de informações sobre os diversos acontecimentos”, diz a professora Fernanda Bérgamo.

Tatyanna Manhães ressalta que um bom tópico-frasal é um grande diferencial. “Conhecendo a estrutura básica da redação, o aluno deve partir para o entendimento das partes da redação (introdução, desenvolvimento e conclusão), principalmente, os parágrafos de desenvolvimento. Para o modelo dissertativo-argumentativo, o estudantes deve saber fazer um bom tópico-frasal”, pontua.

Para exemplificar, Tatyanna produziu duas redações sobre assuntos ligados à pandemia do novo coronavírus; confira:

1 – Os desafios da educação ead na pandemia

O desenho “Os Jetsons” , muito admirado pelos atuais”balzaquianos” e considerado protótipo de vida ideal ,representa um cenário imposto ao momento de pandemia. O resultado e a satisfação, entretanto, não foram os esperados. Dentre essas adaptações “a la Jetson” a que fomos obrigados e não apresentou grande sucesso destaca-se a Educação à Distância- EAD. O ensino a distância, repentinamente, deixou de ser um sonho e passou a ser um pesadelo sem limites.

Professores sem treinamento adequado expuseram-se a esse desafio sem qualquer outra escolha. Não há no ensino carreira docente (a Licenciatura) registro como matéria obrigatória na imensa maioria das grades horária. Isso significa que o professor, grande parte das vezes, não recebe qualquer treinamento para esse tipo de aula.

Por outro lado, há as diferentes situações dos alunos (etárias, sócio-econômicas etc) unidas por um denominador comum: falta de adaptação ao estudo EAD. Muitas escolas (a imensa maioria) não tinha sequer uma matéria nesse modelo. Assim, a aprendizagem tornou-se um desafio. O aluno mal consegue depreender o básico da aula quiçá ter na aprendizagem um ato revolucionário – como idealizava Paulo Freire.

Visto que a melhoria faz-se necessária, insurgem diversas necessidades.  Torna-se mister que o Ministério da Educação trabalhe alterações tanto na grade curricular da Licenciatura quanto na dos colégios (dentro do possível).

Para isso, deve alterar a Base Comum Curricular de forma a inserir a EAD . Mesmo que para todos as realidades esse formato seja um meio acessível, propor matérias teóricas que tratem do assunto para a garantia de que as próximas gerações lidarão melhor com o EAD. O MEC também deve propor cursos para preparar professores – entretanto, isso cabe também às escolas como iniciativas isoladas. Docentes conhecedores dos sistemas básicos usados para o ensino virtual propiciarão melhores aulas.

2 – Isolamento social em tempos de pandemia

“O homem é um ser social”. Tal assertiva fala  do filósofo Rousseau pode ser notada empiricamente. regimento de diversas formas de interação pessoal ou virtualmente. Negou-se ao homem o direito à sociabilidade pela necessidade de distanciamento social imposta pela pandemia da Covid-19. Furtá-lo dessa socialização tornou-se um desafio necessário que implicou consequências tanto positivas quanto negativas.

De maneira positiva, pôde-se notar, por meio do isolamento social, a capacidade de adaptação humana. Mesmo que muitos desafios tenham aparecido, o indivíduo soube adaptar a suas necessidades ( estudos, malhação, entretenimento ) à vida isolada. Pode-se aqui ressaltar Rousseau que aborda a influência do meio – a mudança no meio gerou também um novo homem.

Por outro lado, temos dados bastante difíceis que se referem ao psicológico humano. Dados de universidades afirmam que os atendimentos aumentaram em 20% nessa área. O isolamento implicou aguçamento de questões individuais trazendo-nos à lembrança o que Tom Jobim ressalta em “Wave”: é impossível ser feliz sozinho.

Embora saibamos que o isolamento social devido à pandemia tenha sido algo pontual, alguns alertas apareceram e precisam ser combatidos. Primeiramente, ressaltar a necessidade de que o Ministério da Saúde inclua atendimento psicológicos em toda a rede do SUS garantindo que a pauta da saúde mental será garantida na esfera governamental. Os conselhos de psicologia devem repensar os modelos de atendimento à distância visando a inclusão de mais indivíduos na modalidade à distância (atualmente, só é permitido por vídeo). A preocupação deve ser de todos.